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| Friday, 29-Jul-2005 00:00 |
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Um dia desses eu estava lendo Marguerite Yourcenar, um texto no qual a personagem descrevia sua vida como se fosse uma eterna espera diante de uma porta que jamais abriria. Essa foi a imagem mais forte de negação que já li em minha jovem vida: sempre ansiar à frente de uma porta eternamente trancada. E eu me identifiquei.
Eu me identifiquei e até hoje não sei por quê. Talvez por ter atingindo uma meia idade desesperadora aos vinte anos, por apegar-me ao fato e deixar qualquer sonho. Quem explica o desespero? A desilusão? A porta trancada não iria se abrir. Para quê esperar?
Eu me dediquei então a apagar a ânsia. Esmagar os sonhos, manter-me guardada do mundo. Confesso ter dormido um sono estranho por longos anos e as cores esmaeceram ao meu redor.
Mas se há um limite em todo o ser humano, o meu agir o alcançou com o tempo. Uma rosa não pode negar seu perfume, nem a árvore negar seus frutos. Sendo quem eu sou, nada mudaria meu espírito, nem mesmo eu. A minha natureza revoltou-se contra mim, estabelecendo uma enorme tensão entre o que sou e o que me fiz. Partindo, rebentando as correntes, forçando limites, indefinindo-me cada vez mais.
Eu não procurei forçar a porta trancada, ali, simplesmente, não era o meu lugar. Eu abandonei o lugar de espera e parti em direção a algum lugar, nenhum lugar específico. Eu ando porque a estrada se estende à minha frente, minha ânsia não se dirige ao caminho, mas ao que me rodeia.
E percorrendo esse caminho alcancei um entendimento muito maior sobre o que eu leio, os textos têm novos sentidos; abandonando certos paradigmas, descobri novos textos. Eu não sei se eu vou parar de andar, ou sequer vou querer parar de andar, tudo é possível.
Minha mãe me contou sobre uma parenta nossa, falecida muitos e muitos anos atrás. Ela era índia, criada em sua tribo e posteriormente teria casado com um português, vindo a morar no sítio. Reza a lenda que ela, velha e cansada, decidiu voltar para sua tribo, morrendo no meio do caminho.
Essa história sempre foi um mistério para mim, pois não entendia ela querer abandonar sua família para voltar para a tribo. Eu começo a pensar que a vida dela não se resumiu em partir da tribo, viver com sua família e retornar para a tribo, morrendo no percurso. Não, a minha índia começou a andar e nunca parou. Alguns trechos podem ter demorado mais, mas ela vincou raízes. Minha índia não morreu. Ela continua andando. Até hoje.
Vai ver é hereditário.
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| Monday, 25-Jul-2005 00:00 |
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PIPAPIPAPIPAPIPA
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Não ando escrevendo muito gente... Mas vou jogar umas fotos só para sacanear. rs
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| Tuesday, 5-Jul-2005 00:00 |
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Sonhos
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Ontem eu sonhei com você:
estávamos sentados juntos em uma cadeira,
eu no seu colo, tudo ao redor estranho e caótico.
Exceto você. E eu.
Meus dedos traçavam as finas do seu rosto até alcançarem
seu queixo.
Eles perceberam, ou eu percebi, a ausência de sua barba.
Você estava diferente, mais cheio, cabelo curto, braços fortes,
encaixe perfeito.
E me perdi pensando como me sentia segura em seus braços.
Então eu acordei pensando se você perfeito
por ser fruto dos meus desejos inconscientes,
ou de um coração livre de cinismo por raros minutos noturnos
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| Thursday, 23-Jun-2005 00:00 |
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Dias frios...
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Eu me fecho convencida pelo vento frio combinado com gotas insistentes de chuva. Nem bem eu tomo essa decisão e já estou mudando o que sinto...
Não é culpa minha... é o cheiro...
Involuntariamente os meus dedos se estendem. Lentamente.
Continuo sentindo frio.
Meus dedos se aproximarem de seu objetivo, pouco a pouco.
Um pouquinho mais de calor. Eles abraçam a xícara fumegante, mas isso é uma ilusão. Mesmo o café é uma ilusão. Na verdade, eu abraço e me fecho, agora cercada pelo calor, em um mundo que é só meu.
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| Thursday, 16-Jun-2005 00:00 |
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Sobre as ervas daninhas...
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Foi em um dia de sol.
Ela apareceu andando pela praça com o olhar misto de impaciência e frustração sobre a estranha planta que, esgueirando-se por toda a extensão da parede de sua casa, já não permitia entrada aos raios de sol. Lá dentro, jazia sua casa, escura e fria.
Com um misto de impaciência e frustração, puxou a faca que destraidamente havia guardado no bolso de sua calça jeans, segurando quantos galhos podia com a sua mão livre.
Seus dedos encontraram dolorosos espinhos em seu caminho, mas isso fez apenas aumentar aquele sentimento incendiário que a impulsionava. Então, eles agarraram com uma força impossível os malditos galhos e os puxaram.
Lágrimas surgiram, sangue fluía.
Quando ela e a planta alcançaram seus limites, a impiedosa lâmina iniciou seus trabalhos. Cortando no início, rasgando ao meio dia, dilacerando à noite, cavando a terra para arrancar as raízes. O tempo se perdeu durante aquele exercício.
Da planta, nada mais tocava o chão.
Restavam os inúmeros galhos, entranhados pelas paredes da casa como garras. Cabia apenas às mãos esse trabalho; apesar do medo registrado pelo seu cérebro,uma vez que a carne conhecia a dor causada pelos espinhos, mas nem uma fração de segundo foi desperdicida em hesitação.
Foi-se a noite. Negras cicatrizes cobriam as paredes da casa agora às vistas do sol. Ali, ela se recostara, quase ignorada, hipnotizada pelas chamas da fogueira, enquanto subiam aos céus os restos da planta.
Nesse cenário de guerra, poucos conheceriam o por quê da batalha.
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| Sunday, 12-Jun-2005 00:00 |
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As cláusulas do contrato
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| Quote: | | O conto foi escrito por Carlos Eduardo de Magalhães, autor de Os jacarés, Mera fotografia e outros livros. A foto é uma cena do filme Até amanhã Mário. |
Amanhã
Amanhã você pode gritar, ou falar baixo, nossas vozes já não estarão tão altas, nossos movimentos serão vagarosos, nossos sentimentos não sei dizer. Amanhã pode me cobrar a vida que não teve, me falar das amigas que se tornaram famosas em suas profissões, menos talentosas, menos bonitas, menores que você em tudo. E haverá aquelas que foram apenas felizes. E você poderá me culpar, jogar na cara que não foi nenhuma coisa nem outra, que a vida passou e que você passou com ela, ao meu lado. Se quiser não precisará disfarçar o asco ao dizer A vida ao teu lado, já não estaremos para gentilezas. Todas as minhas fraquezas, todos os meus defeitos. Gritar tudo. Meu medo de altura, minhas asma que te incomoda, o jeito atrapalhado como eu corro, a burrice com que jogo baralho, o fio dental que sempre esqueço de usar. Amanhã você pode falar dos filhos que eu não te dei e que você tanto queria, ou dos filhos que te dei demais, - noites em claro, depressões pós-parto – e que sugaram do teu corpo, te deram cabelos brancos que a pintura tinge, que a fizeram ser chamada de avó. Lembrar-me de cada mágoa recebida de mim e que você pôs na prateleira, feito troféu que só a gente conhece o valor. Só a gente olha. Estarão lá, intocados, e sob o peso deles você poderá me esmagar. Eu não vou reagir. Pôr a mão na cabeça, suspirar, sorrir com raiva pensando nas vezes em que cuidou de mim, em que ficou preocupada quando me atrasei, em que me olhou dormir, fez-me um cafuné, limpou a lágrima que descia pela bochecha. Amanhã pode. Sentir-se uma idiota por não ter dado ouvidos às suas irmãs. Estúpida por ter renunciado a sonhos que você me contou e que na certa desapareceriam com a idade. Destruída por tudo o que foi. Derrotada por tudo o que poderia ter sido. Bem cedinho, antes que as primeiras lâmpadas comecem a apagar nos postes, antes que os jornais comecem a ser entregues, depois que o último pernilongo desapareça. Naquela hora em que os garçons chegam do trabalho e o retireiro sai para o seu. A hora em que alguns insones acordam e outros conseguem dormir. Na primeira luz do sol, antes mesmo do sol aparecer, você pode até pedir para eu morrer.
Amanhã.
Hoje..., hoje não.
Quer casar comigo?
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| Friday, 10-Jun-2005 00:00 |
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Sobre a felicidade
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Quem já me conhece, só umpouquinho que seja, sabe os meus dois temas recorrentes: computador quebrado e chuva em Natal. Bem, em minha defesa, preciso confessar que não posso fazer nada além de falar dessas coisas quando as duas se unem e me impedem de atualizar o flog...
Por outro lado, elas fazem eu me sentir uma pessoa muito mais humilde e que se alegra com pequenas coisas na vida, despertando o meu lado espiritual. Isso mesmo, descrentes, eu tenho um lado espiritual, não importa o quão pequeno ele seja!
Como eu estava falando, hoje eu agradeço quando meu computador liga e quase alcanço o Nirvana quando desligo o e-mule e o computador não trava ou ameaça explodir. Se por acaso as minhas caixas de som funcionam, parecem um coro de anjos; e não vamos esquecer do scanner que, só ligando sem scannear nada, já é um milagre per se.
Outras coisas também me deixam muito contentes, como o fato de sair de casa e não ver uma única poça d'água cortar metade do meu bairro de uma ponta à outra, ou quando meu carro consegue passar por uma rua alagada sem morrer e me deixar lá ilhada no meio do esgoto e da lama... Mais simples ainda, eu agradeço toda vez que a janela do carro fecha sem maiores ginásticas.
Ah! A vida é bela!
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| Sunday, 29-May-2005 00:00 |
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(quase) Uma vela ao vento...
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Uma santa alma...
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Meu povo,
Infelizmente, desde sexta-feira uma certa prima minha esteve hospedada aqui em casa e, como ela mora em uma cidade chamada Campina Grande/PB, eu tive que dar um update nas informações que ela tinha sobre Natal/RN.
Assim, nós criamos o nosso episódio particular de 24 Horas.
Primeira hora: saímos à caça de caixa eletrônico com dinheiro e funcionando, enquanto procurávmos comprar água mineral para a casa;
Segunda hora: procurando comprar água mineral, entramos na mais nova loja de acessórios do CCAB. Não lembro o nome, mas as peças e os preços valem a pena e quem procura acha;
Terceira hora: na minha casa tava todo mundo com sede, mas ainda estávamos explorando o estacionamento do Mid Way Mall à procura de uma vaga;
Quarta hora: à procura da referia água, encontramos diversos animais selvagens apenas para acabarmos sendo perseguidas por funcionários de um Pet Shop dentro do Shopping;
Quinta hora: Procurando pulseiras e argolas enquanto portestávamos contra o racismo no futebol;
Sexta hora: descobrindo as maravilhas do fantástico mundo de Bob e seus bichinhos de pelúcia;
Sétima hora: infernizando a vida de uma pobre vendedora de casacos da TNG e colaborando para sua saúde física ao colocá-la para subir e descer escadas por, no mínimo, trinta vezes;
Oitava hora: enfrentando as filas do Hiper e me crucificando por pagar trinta reais pelo Show do Paralamas (por favor, não comentem sobre o preço pago). Lembram daquela água?
Nona hora: experimentando sorvete com waffles e coberturas e brownies. Súbito ataque de cosnciência ao lembrar da seca drástica da minha casa.
Décima hora: levando a água para casa e fazendo a feira no Hiper pela terceira vez no dia.
Décima primeira hora - ainda no Hiper.
Décima segunda à décima sexta horas: bancando a enfermeira mirabolante de uma prima subitamente doente que se recuperou mais rápido ainda por medo de perder o show de Paralamas do Sucesso no MADA.
Décima quinta hora: comparecendo à cerimônia de troca de faixas da Academia Central de Aikido com a participação do Sensei Pádua.
Décima sexta hora: intervalo para janta.
Décima nona: banho, roupa, carona e Show do Paralamas.
Vigésima: shows que não eram do Paralamas
Vigésima primeira a Vigésima terceira horas: PARALAMAS. Ou pelo menos o tempo que ele tocou nas nossas cabeças, não se admirem muito...
Vigésima quarta hora - season finale: transportando resto de prima para a rodoviária.
Entendem por que não deu para fazer mais nada?
Beijão
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| Thursday, 26-May-2005 00:00 |
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Um começo épico
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Era uma vez uma criatura, cujos pais não eram capazes de se decidir sobre como nomeá-la. Esses pais não eram diferentes dos demais, pois eles não tinham qualquer noção de como cuidar de uma criança e não tinham a menor concepção do que era razoabilidade. A bem da verdade, eles eram apenas um pouquinho mais indecisos dos que os outros e não conseguiam entrar em acordo quanto ao nome.
Um dia era João, outro Maria, ou Karla ou Carlos, André ou Josefina. Pouco importava o sexo, a idade, o vexame. A criatura crescia com nomes distintos todos os dias e quando acabaram os nomes próprios, vieram os nomes de objetos e cores e coisas inexistentes até que um dia acabou a criatividade - que não era muita - e eles se viram com um problema. Como chamar a pobre criatura?
Também os amigos e familiares estavam cansados da hesitação e vergonha durante as festinhas de aniversário na hora do parabéns, acabava com a harmonia da música o fato de cada um dos convidados preencher a letra com um nome diferente. Certidão de nascimento, então, nem pensar! As queixas aumentavam, a determinação dos pais diminuía até que eles finalmente chegaram à idade da estabilidade total em que se sente um grande horror às novidades e apego desesperado aos princípios adormecidos da juventude.
Eles resolveram, então, aceder à vida comum e dar um único e perene nome à sua descendência,que já ia ia então nos seus quatro anos e dentro em pouco iria para uma escolinha.Concordaram de chamar o Inominado em um extremo desafio à vida comum dos dias de hoje e juraram nunca mudar o nome tão substancial que haviam dado.
E assim nasceu e foi nomeado o nosso herói.
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| Sunday, 22-May-2005 00:00 |
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Aviso aos navegantes
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Toritama/PE
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Ohoe!
A quantos possam interessar o meu paradeiro, saibam que estou comprando muamba numa cidade nordestina com nome japones e escrevendo de computador filosoficamente contrario a todos os sinais gramaticais... Desistam de quaisquer fotos dessa referida cidade, cujas blusas sao compradas a seis reais o quilo, pois todas devem ter o selo de aprovacao da prefeitura! Falo mais quando chegar em casa! Vida longa as blusas de seis reais o quilo!
Em tempo> agradecemos ao Inominavel pelas informacoes prestativas a respeito do filme Star Wars. Percebemos que vc viu, gostou e escreveu um tratado sobre o filme. Cade o show Skank e Pity?
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